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2 de jun. de 2017

Desafios de ser cristão e universitário

---Repostagem minha do dia  07/11/15 do antigo blog Passos de uma Caminhada ---

     Lembro-me bem do dia em que minha irmã (mais velha) ia para seu primeiro dia de aula na universidade e meus pais sentaram com ela para alertar sobre o cuidado que deveria ter ao ingressar neste ambiente. Eles tinham alguns amigos da juventude que, depois de terem passado no vestibular, aos poucos foram se afastando de tudo o que acreditavam, no que diz respeito a sua fé. É realmente tentadora, a liberdade que temos depois que terminamos a escola, pois já não se tem mais cobrança para os pais, mas apenas você é responsável por si mesmo e por seus estudos. Muitas novas ideologias nos são apresentadas. Sei que não poucos passam a consumir algum tipo de droga, ou mudam totalmente seu estilo de vida.

Preparando para a Missa (2010)
     Essa liberdade pode ser positiva, se soubermos lidar bem com ela, procurando boas companhias, e se for de alguma religião, procurar algum grupo que se reúna durante a semana. Especialmente na UnB, onde eu, minha irmã e meu agora esposo já estudamos, tínhamos a Missa diária (que tem até hoje), nos envolvíamos nas equipes de preparação e fizemos muitas amizades. Assim é bem mais difícil se afastar das coisas que acreditamos mesmo num ambiente tão diversificado como a universidade. Não raro, também muitos se aproximam ou se aprofundam muito mais em sua fé na universidade, uma vez que também podemos ter contato direto com as bases de estudo da fé, como eu mesma e algumas pessoas que conheci.
Comemoração do meu vestibular (2010)

     Algo que mais vejo entre meus colegas em geral é o desejo de formar uma família ser cada vez mais adiado ou suprimido. A prioridade é terminar a graduação, o mestrado e o doutorado e depois pensar nisso, ou então conseguir um bom emprego. Isso é quase unânime na sociedade hoje, pois entende-se que a pessoa sozinha chega muito mais rápido ao topo de sua carreira. E isso é verdade na maioria dos casos, mas não digo que alcançará esse topo com a mesma responsabilidade e alegria do que se ele tivesse a companhia de sua família própria - se essa for sua vocação, pois sei que nem todos se sentem chamados para isso.

     Vejo isso pelo reação das pessoas quando digo que me casei, e mais ainda, que estou grávida. Não é algo que recomendo para qualquer pessoa pois cada um tem sua história e motivos, como no meu caso meu esposo já podia ter uma fonte de renda para nós. Mas digo por mim e por outros que conheço que é sim possível ter uma boa formação mesmo tendo minha família ainda jovem, se soubermos adaptar os nossos sonhos aos sonhos e necessidades do outro.

     Um outro desafio de ser cristão e universitário é a nossa postura diante de pequenas situações, como em conversas, provas, filas... às vezes é difícil tomar atitudes diferentes daquelas que todos estão tomando sem parecer tão chato e caxias, mas muitas vezes é necessário. Reprovei sete vezes ao total ao longo do meu curso, me envergonhava muito disso, mas sei que tive motivos. Ao longo do tempo em que passam os anos, é visível como nossos amigos vão se tornando mais fisicamente adultos, e aí você vê que serão eles quem serão os profissionais da sociedade. E as atitudes que tomam em pequenas situações, irão refletir na atitude que tomarão quando estiverem à frente de uma empresa, de um projeto, ou mesmo do país.

     Se você está entrando agora na universidade e deseja ser firme nas coisas que acredita, nunca sobreponha seus estudos e sua carreira à sua fé (e à sua família), pois ela é que é o nosso sustento até mesmo nos estudos. Não tenha medo de reprovar em alguma disciplina ou se prejudicar se para evitar isso você tenha que enganar alguém ou a si próprio. Aproveite bem, mas filtre bem, o que lhe é ensinado, pois a universidade pode ser um campo extremamente fértil de aprendizado e de oportunidades de amizade e crescimento espiritual e profissional. Um abraço a todos!

"Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca''. Provérbios 4, 5


30 de mai. de 2017

Lembranças para encontros católicos DIY

     Estive revendo algumas coisas minhas do tempo de grupo de jovens da escola, e encontrei tantas lembrancinhas que me marcaram que fiquei muito tentada a compartilhá-las com todos. Todos que são ativos na igreja participam ou organizam muito encontros, e uma lembrança simples, mas feita com carinho marca bem o momento. Porém, nos falta às vezes criatividade, ou inspiração. Por isso compartilho aqui as lembranças que foram usadas em alguns encontros de jovens que participei ou trabalhei mas que servem também para diversas outras modalidades de encontros ou na catequese e adaptados para o tema do evento. Se alguém desejar posso disponibilizar os moldes. Em breve posto mais outros que eu encontrar por aqui!

.:Para momento de refeição:.

porta-guardanapo!



.:Para durante o encontro:.



pode ser usado como convite





genérico par qualquer evento

fofo!




.:Para o final:.
super criativo!



relógio da Bela e a Fera

porquinho fofo



--- Repostagem minha do antigo blog Passos de uma Caminhada, publicada dia 16/9/16 ---

12 de mai. de 2017

Apelo aos artistas - Papa João Paulo II



     Quem tiver notado em si mesmo esta espécie de centelha divina que é a vocação artística – de poeta, escritor, pintor, escultor, arquiteto, músico, ator... -, tem a obrigação de não desperdiçar este talento, mas de o desenvolver para colocá-lo a serviço do próximo e de toda a humanidade. 

     Assim disse o Beato João Paulo II, na belíssima Carta do Papa João Paulo II aos Artistas [clique] (1999). Qualquer pessoa, como eu, que tenha este impulso à arte, irá amar ler esta carta que nos dá profundas inspirações para não deixar escondida nossa capacidade inventiva e artística. Ele se dirige “a todos aqueles que apaixonadamente procuram novas ‘epifanias’ da beleza para oferecê-las ao mundo como criação artística”, sejam cristãos ou não.
     Ao longo da história da Igreja procurou-se exprimir o verdadeiro através do belo, por meio das belíssimas Basílicas, dos cantos, das imagens. Assim, o Papa ressalta a importância da arte na História da humanidade e na transmissão da mensagem de Cristo. Mostra, além disso, o quanto o tema religioso esteve presente na história da arte, de tal forma que ela ficaria empobrecida sem o manancial do Evangelho, haja vista que tantos artistas famosos usaram dessa temática para suas composições, a saber: Bach, Mozart, Schubert, Beethoven, Verdi e tantos outros de outras áreas artísticas.
     A carta mostra a relação entre o criador (que dá origem) e o artífice (que transforma o já criado); todo homem é chamado a ser artífice, pois a ele foi submetido “o mundo visível como um campo imenso para exprimir sua capacidade criativa”. Da mesma forma, a carta mostra a relação entre o bom e o belo: Deus percebeu que sua criação, além de boa, era bela, no sentido de que “a beleza é a expressão visível do bem”.  
     Ainda no espírito do Concílio Vaticano II, o então Papa reforça o incentivo à arte na vida da Igreja, pois os padres conciliares já sublinhavam a grande importância da literatura e das artes na vida do homem. A história da nossa Salvação já deu e continua nos dando muitas fontes de inspiração para a arte: o próprio Verbo encarnado, Deus feito homem, a Virgem Santa, a "toda bela", as narrações da criação, do pecado, do dilúvio, do êxodo até a paixão e ressurreição do Senhor, pentecostes e os acontecimentos previstos no Apocalipse.

      “Ninguém melhor do que vós, artistas, construtores geniais de beleza, pode intuir algo daquele pathos com que Deus, na aurora da criação, comtemplou a obra das suas mãos. Por isso, quanto mais consciente está o artista do dom que possui, tanto mais se sente impelido a olhar a si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer a Deus seu hino de louvor.”



     Você, artista, em especial o artista cristão, não deixe ler [comprar]! A paz de Cristo.



--- postagem minha do blog Passos de uma Caminhada do dia 25/05/12 ---

20 de abr. de 2017

Lista de bons Cantores Católicos Brasileiros

Para quem quer conhecer o maravilhoso mundo de músicas católicas, sugiro uma lista com algumas boas bandas e cantores mais famosos, e outras que conheci a pouco tempo, com uma breve descrição do estilo. Até mesmo para alguns católicos há a impressão de que não existem tantas bandas católicas boas, talvez porque infelizmente a maioria dos católicos restringem músicas de cunho religioso apenas para dentro da Igreja. Mas existem muitos compositores católicos incríveis, que compõem músicas de diversos ritmos e estilos contemporâneos. Se conhecerem mais alguma banda ou cantor podem sugerir nos comentários!

Bandas:
- Banda Dom
- Rosa de Saron
- Anjos de Resgate
- Vida Reluz
- Ministério Adoração e Vida
- Ceremonya
- Lírio dos Vales
- Banda Canal da Graça

A Banda Dom, os Anjos de Resgate e o ministério Adoração e Vida são marcados pela suavidade nas músicas, e o timbre bem característico e inconfundível dos vocalistas. Muitas de suas músicas são usadas em momentos de adoração e de espiritualidade.
O Rosa de Saron tem um estilo misto, com letras que falam não necessariamente de Deus, mas falam sempre de amor e da mensagem do evangelho aplicada nos dias atuais, em ritmo de rock contemporâneo e mais sóbrio. Já a Ceremonya é um rock um pouco mais carregado.
As banda Lírio dos Vales e Canal da Graça conheci recentemente mas possuem músicas excelentes também.

Cantores:

- Adriana Arydes (Paulinas)
- Eliana Ribeiro (Canção Nova)
- Irmã Kelly Patrícia
- Maria do Rosário (Rede Século 21)
- Salette Ferreira (Canção Nova)
- Celina Borges
- Jacke Trevisan
- Tony Alisson
- Thiago Brado

Adriana e a irmã Kelly já têm uma longa jornada enquanto cantoras católicas com músicas que já estão bem entranhadas em nossas celebrações e encontros de espiritualidade, pela delicadeza e suavidade das letras e músicas. Atualmente a irmã Kelly tem gravado muitas músicas de ritmos mais agitados para louvor, tipo rock e balada.
A Eliana, na verdade, não sei dizer se ainda está na carreira de cantora, mas possui músicas muito boas também como "Barco a Vela" e "Livre Acesso".
A Maria do Rosário compõe e grava muitas músicas litúrgicas belíssimas (link).
A Jacke Trevisan tem estilo mais agitado para momentos de louvor e descontração.
O Thiago Brado tem um estilo semelhante ao de Rosa de Saron (na minha opinião), conheci recentemente e gostei bastante de suas músicas.

Tradicionais:
- Pe Zezinho
- Pe Joãozinho
- Pe Cleidimar
- Pe Reginaldo Manzotti
- Pe Fábio de Melo

O padre Zezinho, creio que seja o padre que mais compôs músicas até então, creio que mais de 300, as quais marcaram minha infância. Ele já compôs sobre tudo! Músicas marianas, sobre matrimônio, para crianças, para os jovens, para cantores católicos, músicas litúrgicas etc.
Padre Joãozinho e Cleidimar também gravam muitas boas músicas litúrgicas, usadas nas celebrações, O Padre Reginaldo grava muitas músicas de espiritualidade boas, apesar de poucas serem de sua autoria, mas têm feito bastante sucesso principalmente por seu apostolado através do rádio. 
Fábio tem gravado muitas músicas seculares com temáticas de amor, mas também possuem músicas boas de espiritualidade,


Por fim cito duas cantoras internacionais que gosto muito:
- Hermana Glenda
- Audrey Assad

A Irmã Glenda tem uma voz e melodias que mexem com o espírito, suas letras em sua maioria são tiradas de pequenos versículos da bíblia que são bastante repetidos o que acaba nos ajudando a interiorizá-los bem. Algumas de suas músicas inclusive foram traduzidas e regravadas pela Adriana Arydes.
A Audrey é um estilo bem contemporâneo, bem calmo, com voz e piano, com letras tiradas de hinos litúrgicos e salmos. 

Ouçam e curtam! ♥♪♫

"Se queres ouvir o que cremos, vinde ouvir o que cantamos." Santo Angostinho

10 de abr. de 2017

Meu parto humanizado no SUS - experiência

   Nosso filho, enfim, nasceu! 27 de janeiro de 2016.


     Gostaria de deixar um pouco da minha experiência de parto e parabenizar meu atendimento no
SUS. Mesmo com muitos medos por parte da família, resolvemos arriscar e fizemos todo o pré-natal no posto de saúde mais próximo, e fui acompanhada por uma enfermeira muito boa, e a maior parte dos exames necessários foram feitos pela rede cegonha. 

     Como fiz natação durante toda a gravidez e não tenho histórico de doença grave na família, mantive o sonho de um parto normal humanizado, porém sabendo que atualmente no Brasil ocorrem tantas cesáreas eletivas e maus tratos nos partos normais por parte dos profissionais. Fiquei tentada a pagar umas enfermeiras que fazem parto humanizado em casa na cidade, mas descobrimos uma maternidade que tem assistência a um parto mais humanizado pela rede pública (o hospital universitário daqui). Então fiz uma visita e fiquei mais tranquila, mas havia o risco de não haver leito disponível na hora "h" (se isso ocorresse nos transfeririam a outra maternidade). 

     Com um mês antes do previsto (36 semanas + 1 dia), comecei a sentir as dores às 3 horas da madrugada, e às 8 horas da manhã ele nasceu, com 3kgs e muita saúde! Graças a Deus, neste dia, havia muitos leitos vazios. Nos surpreendemos com leitos de parto separados uns dos outros, onde ofereciam bolas de pilates e cadeiras para parto para a parturiente se sentir a vontade na melhor posição. Sabia que na cadeira de parto o expulsivo era mais fácil devido à ação da gravidade, então resolvi tentar. Queriam me dar ocitocina para acelerar as contrações do expulsivo, mas eu pedi pra esperar pois eu acreditava que não ia precisar. Meu esposo esteve comigo durante todo o processo, e em uns vinte minutos de expulsivo, nosso filho logo nasceu, e a obstetra (coincidentemente também chamada Amanda e com 24 anos!) colocou-o nos meus braços, e ele logo olhou para mim e para o pai... e isso jamais será apagado de nossas lembranças, passaria por tudo de novo!! Depois disso recebemos toda assistência necessária por vários profissionais e recebemos alta no terceiro dia. O quarto onde passamos este tempo é para quatro mulheres, um pouco apertado, e as instalações do banheiro não eram boas mas, tirando isso, foi tudo muito bom.

     Sei que cada mulher tem um limiar de dor diferente, e cada trabalho de parto, uma duração, mas pela experiência que tive, posso dizer que foi uma dor bastante suportável (a parte mais dolorosa, na minha opinião, foi o expulsivo). Somos capazes de dar a luz naturalmente, eu acreditei nisso e recomendo para todas que desejam  e podem passar por esta experiência! É preciso preparar-se psicologicamente, não dar ouvidos àqueles que fazem tanto terror, conhecer de antemão as etapas do trabalho de parto. Sempre procurei enxergar esta dor como algo que o próprio Deus dá a nós, mulheres, como um choque de realidade necessário para a nova fase da vida em que estamos entrando.

     Talvez não teria passado por isso com tranquilidade se não fosse meu esposo e meus pais, que me acompanharam durante toda a gestação, durante a qual tive a intercessão de Nossa Senhora do Bom Parto, mãe de Jesus e nossa mãe. Louvado seja Deus!


--- postagem minha do antigo blog Passos de Uma Caminhada do dia 7/2/2016 ---

6 de abr. de 2017

Leitura de documentos da Igreja? Kindle

Eu e meu esposo descobrimos no Kindle, da Amazon, uma nova paixão. Uma das maiores vantagens para mim, além do fato de comprar livros em formato e-book ser mais barato e menos espaçoso, foi a ideia de copiar os documentos igreja (encíclicas, exortações apostólicas etc) do próprio site do vaticano, que dá acesso gratuito, e enviar para o Kindle. Eu que antes gostava de comprar a edição impressa pela Paulus ou Paulinas, encontrei nesta prática uma excelente solução.
Fica a dica!


3 de abr. de 2017

Testemunho de Carmen Hernandez

"Tudo depende da mulher, porque tem a fábrica da vida. Por isso a serpente persegue a mulher desde a primeira parte do Gêneses até o fim, no Apocalipse. Por isso as primeiras que anunciaram a Ressurreição foram mulheres, porque tem a vida dentro de si, sabem o que é." Carmen Hernandez (sobre o aborto)



Carmen Hernandez foi iniciadora do Caminho Neocatecumenal juntamente com o Kiko e o Padre Mário, na Espanha, e faleceu ano passado, dia 19 de julho de 2016 . Enquanto membros deste movimento (no meu caso, desde 2008), somos bastante familiarizados com suas pregações. Carmen tem uma história de vida muita bonita, de fidelidade à Igreja e de insistência pela coerência do movimento para com a Igreja, história esta que nos foi apresentada com mais detalhes após sua morte. 

 Ela era vocacionada desde sua juventude, inspirada pelos jesuítas, e sempre alimentou o desejo de ser missionária na Índia, mas seu pai queria que ela e os outros 8 irmãos se formassem e trabalhassem na indústria. Tentou várias vezes ir para a missão, mas por pressão do pai, concluiu seu curso de Química, e então, sendo de maior, foi para a missão. Mesmo durante sua graduação, nunca deixou de ir à Missa diária, o que a alimentava e dava forças.

Entrou então para um instituto de freiras fundado por missionárias do Japão. As irmãs deste instituto estudavam Medicina, mas como Carmen já tinha um curso superior, estudou Teologia. Antes de fazer os votos perpétuos, houve várias mudanças das regras do instituto, devido à mudança de coordenação, que eram mais rigorosas. Após esta mudança (sem entrar muito em detalhes) muitas irmãs, incluindo Carmen, foram afastadas do instituto por não concordarem totalmente com as novas regras [dizem que Carmen levou junto do instituto o Espírito Santo pois não surgiram mais vocações para lá!]. Carmen e as outras, apesar de tristes, continuaram a missão, viajaram muito, foram até à Terra Santa.

Mal sabia Carmen que, em uma dessas viagens iria encontrar-se com Kiko, em uma das favelas de Madrid, convivendo com os pobres, favelados e ciganos, anunciando o Evangelho. Nessa época Carmen se impressionava ao ver o quanto as pessoas se interessavam pela mensagem de Cristo, e quanta fé e sinceridade tinham, mesmo sem ter nenhuma instrução; às vezes se sentia uma farisaica por achar que apenas com formação profunda poderia compreender a mensagem evangélica.


Carmen passou então a ajudar a Kiko na missão na favela, através de sua formação. Ela dava as catequeses iniciais (o kerigma) que fez converter muitas pessoas, pobres, bêbados, prostitutas das favelas; as catequeses eram complementadas com os cânticos que Kiko compunha, baseados em passagens bíblicas. O bispo local, ao ser chamado para conhecer, se emocionou tanto que pediu para eles pregarem as mesmas catequeses nas paróquias. São as catequeses que até hoje recebemos nas paróquias, para entrar no Neocatecumenato.

Carmen então estudou sobre o Rito de Iniciação cristã para Adultos (RICA), que estava sendo reformulado pelo Concílio Vaticano II, e após as catequeses iniciais as pessoas então iniciavam o catecumenato, chamado então "neo-catecumenato" ou "caminho neocatecumenal", já que seria um catecumenato pós batismal, diferente do catecumenato vivido nos primeiros séculos da igreja que era feito antes do batismo. E assim o caminho foi crescendo, formando comunidades pequenas que iam vivendo exatamente as etapas do RICA.

Desta forma, vemos que o "Caminho" não foi pré-concebido, mas nasceu pela obra do Espírito Santo, com seu carisma próprio. Se em alguns momentos o Caminho errou, seja na forma de celebrar ou de catequizar, a Igreja foi corrigindo, principalmente por insistência da Carmen, que até sua morte insistia para que o movimento fosse sempre fiel à Igreja e que fosse combatido o "Kikianismo" - como até hoje muitos acusam o Caminho - no sentido de que ele deve ser centrado na Igreja, no Papa, e não na pessoa do Kiko, além de sempre insistir na importância da mulher no seio da Igreja. Hoje temos inclusive o diretório específico para o movimento. Todos os papas sempre o apoiaram, pois poucos movimentos conseguiram seguir o RICA de uma forma tão frutuosa, e dão tantas vocações sacerdotais, matrimoniais e missionárias como ele.

Dizem que muitos milagres já foram atribuídos à intercessão de Carmen, após sua morte. Se forem comprovados pela Igreja, em breve acompanharemos seu processo de beatificação. Mas que desde já peçamos sua intercessão para que ajude-nos a sermos sempre fieis a Deus e à Igreja, e nos ajude a saber evangelizar, e a não ter medo de anunciar!